Amanhece!
E com o cantar do galo que desperta para um novo dia, vem de lá de longe, um velhinho todo curvado, de chapéu bem posto na cabeça, com o olhar prêso ao chão e um sorriso quase imperceptível entre as rugas que já tomaram conta de seu rosto que muito viu e sofreu nessa estrada espinhosa que é nossa vida terrena.
E nesse caminho ao encontrá-lo eu o abraço com os olhos, namorando os seus passos e o achando lindo nesse amanhecer cheio de sol, que brilha em seus cabelos brancos.
Ele faz desse amanhecer um ritual, sempre a mesma hora, os mesmos passos, tudo sem sair dos seus parâmetros.
E a cada encontro eu o amo profundamente, fazendo questão de guardar para mim essa imagem tão querida, que me enternece a cada contato, a cada sorriso, desse tão guerreiro velhinho.
Passo por ele, o abraço com saudades, mesmo não entendendo o motivo desse sentimento, mas passo feliz por vê-lo mais um dia, sempre o mesmo.
E os dias correm, passam tão rapidamente, mudam diretrizes, mudam vidas e hoje o amanhecer perdeu o brilho do sol nos cabelos brancos do meu velhinho, ele já não se arrasta mais pelos caminhos, agora ele flutua no tempo.
(Escrito em Araguari no dia 22/01/90 por Lucíola)